É, sei sim e aprendi isso com meus pais.No dia do meu casamento, o padre, que conhece muito minha família falou uma coisa que me emocionou: "Dani e Patrick, se inspirem no exemplo da tia Terezinha e do tio Júlio. Eles estão juntos a 53 anos e mesmo com dificuldades e problemas, os saldo de felicidade é muito maior". Fiquei cheia de orgulho e mesmo com as diferenças entre nós eu quero uma coisa assim também.
No sábado, dia 20 de junho, meu pai e minha mãe (que na verdade são meus avós mas me "adotaram" como filha desde pequenininha) comemoraram 54 anos de casamento. Eu que vi boa parte disso sei que fácil não foi.
Meus pais tem origem bem humilde. Meu pai começou a trabalhar muito cedo, passou fome, não teve infância mas estudou pra caramba. Não fez curso superior mas até hoje quase tudo o que pergunto, ele sabe a resposta. Passou no concurso público e foi assim que conseguiu tudo que tem. Pelo estudo e pelo trabalho. Minha mãe estudou só até a antiga 4ª série. Era a filha mais nova de uma família cheia de irmãos super machistas e que não deixaram ela estudar mais que isso. Ela virou costureira e assim ganhava seu próprio dinheiro.
Os dois se casaram e formaram uma família bem grande e bem doida. Daquelas que se ama muito, mas que briga muito e na qual todo mundo se mete na vida de todo mundo. Tiveram 9 filhos, um deles é a minha mãe Lúcia. Três morreram.
Pelo que contam a vida deles sempre foi regrada financeiramente. Nunca tiveram luxo, até porque minha mãe virou dona de casa, costurava só pros filhos e marido e meu pai sustentava sozinho a casa. O que ele ganhava, mesmo sendo concursado, funcionário público, dava pra sustentar a família e só. Nada de viagens, roupas caras, brinquedo da moda.
Mesmo nesse sistema patriarcal a força das mulheres da família Moreira sempre foi maior, coida de D. Terezinha, ariana arretada. Somos 6 mulheres e apenas um homem. Na infância eram elas que defendiam o irmão na escola e ai de quem procurasse confusão com o Júlio Filho, que lá ia Lúcia, Helena e Dulce tirar satisfação. Mary e Rita são as mais novas. A Mary é a queridinha, o orgulho da família. E a Rita é a caçula que perdeu o posto quando eu nasci. Tomei a vaga dela e ela meio que perdeu a identidade dela. Acho que ela ainda precisa de terapia para lidar com isso, kkkk...
Daí a família só vem crescendo. Genros, nora e netos. Os bisnetos estão longe de chegar. Se depender de mim eles só vão chegar daqui a dois anos no mínimo.
Sei que nem tudo aconteceu como eles sonharam quando decidiram se casar mas sei também que eles sentem muito orgulho de tudo o que contruiram juntos.
Acho super engraçado quando vejo minha mãe com 75 anos brigando com meu pai, de 72, por ciúme, ou fazendo mimo pra chamar a atenção dele. E acho fofo quando ele fica fazendo pirraça para chamar a atenção ou fica passando a mão no cabelo grisalho dela quando estão na cama.
Eles se amam muito e são exemplos para o amor que eu estou construindo todos os dias na família que estou formando. Amo eles demais.
Parabéns mamys e papys.
Bejocassss!!!



