Eu nasci assim...eu cresci assim!



"Quando eu vim para esse mundo..." eu fui a primeira em muitas coisas: primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha. Cresci cheia de vontades e todas elas eram imediatamente realizadas. Minha mãe me conta sempre, até hoje, como conheceu meu pai, um amor fulminante que durou exatos 1 ano e sete meses. Meu pai era namorado de uma amiga dela. Ela reparava que ele tratava ela diferente mas não percebia que esse diferente tinha outras intenções. Até hoje ela acha que não tinha. Logo o namoro com a amiga acabou e não demorou muito minha mãe e meu pai começaram a namorar.
Todos eram de Pedreiras, interior do Maranhão, mas minha mãe ja morava aqui em São Luís. Vivia no ônibus daqui pra lá e de lá pra cá. Casaram escondidos em uma cidade vizinha a Pedreiras. Quando ela engravidou eles já moravam em São Luís na casa dos pais da minha mãe. Aos sete meses de gravidez, minha mãe foi largada pelo meu pai que sumiu no mundo. Cresci nessa casa e estou nela até hoje, sendo criada pelos meus avós, minha mãe e minhas tias. Daqui vou sair para a minha casa no começo do próximo ano. É, como já sabem, vou casar.
Essa casa aqui sempre foi cheia de gente. Família grande com traços fortes. Todos amam demais, odeiam demais, falam demais, sorriem demais. Uma família exageradamente exagerada. Eu, a única criança durante 5 anos, precisei descobrir muito cedo o que devia fazer para ser ouvida. Talvez por isso minha voz seja meio rouca. Depois chegaram outras crianças e as atenções para mim diminuíram. Fiquei um tanto revoltada. Tinha a língua grande, como diz minha vó que chamo de mãe. Conquistei meu espaço, e assim como minhas tias, tenho um quarto só pra mim faz tempo.
E faz tempo também que vivo praticamente nele. Saio para comer, beber água, atender o telefone, ir ao banheiro. Recebo meus amigos aqui. Às vezes, os outros 9 moradores ( sim, aqui moram 10 pessoas comigo- são duas salas, dois banheiros, sete quartos, terraço, quintal e cozinha) nem sabem se eu estou em casa ou não.
E mesmo assim, linguaruda mas silenciosa, sei que faço parte disso. Mesmo me achando tão diferente de todos, sou capaz de perceber os pontos comuns. Sei que eles me amam e que sentirão muito minha falta quando eu for embora para a casa nova, ou melhor, o apartamento novo.
E minha mãe/avó é a primeira a dar sinais disso. Já está toda mal humorada reclamando que o apartamento é longe, escondido, em uma área perigosa. E não é nada disso. Reclamar é o jeito dela de dizer que não quer que saia de perto dela.
Quando começo a pensar nas mudanças que irão acontecer na minha vida dá um nó na garganta. Vou sentir falta da bagunça na hora do almoço, das conversas com as tias todas atravessando as falas umas das outras, da briga para tomar banho primeiro, dos pedidos não muito delicados para diminuir o som da TV. Acho que só não vou sentir falta da minha mãe dizendo para deixar a porta do quarto aberta quando meu namorado tá aqui.

Agora me pego observando cada movimento em família, cada conversa, cada detalhe, como se não quisesse esquecer nada quando não tiver mais esses momentos com tanta frequência.

Daqui pra frente vou contar mais sobre as mudanças que já estão começando a acontecer.

Mas fica pra outro dia, tá?

Bejoca!

5 comentários:

Luca disse...
17 de dezembro de 2008 10:55

Aff! Fiz um texto enorme comentando o primeiro post e eis que o google declarou ERROR a mim. Ralado!

Enfim, não vim aqui para comentar sobre essa bandalheira do google e sim pra dizer o quão breve e tão cheio de rasteiras emoções ficou o este post. Dou graças a Deus por estar sendo testemunha de tantas mudanças importantes e já tão esperadas em tua vida. O caminho lindamente trilhado está só começando, para construir uma família tão amada quanto àquela que estás apenas multiplicando e não abandonando.

A tua família me lembra tantas outras famílias, que numerosas como o quadro da Tarsila, parece correr o sangue italiano daquelas familias zoadentas de novela das nove. Mas que são naturalmente brasileiras. O amor está implícito.

Beijos, amiga. E boa sorte na casa/ap para onde vais e nesta casa aqui.

Te amo!

Polyana Amorim disse...
18 de dezembro de 2008 04:35

Dani, família é família. Não importa pra onde tu vá, ela sempre vai estar ctgo e tu sempre com ela.
Eu sei que eles não gostam de admitir que crescemos que agora vamos andar com nossos próprios pés e tal.
Mas eles torcem por nossa felicidade, mas do que qualquer um.
Com tua família não é diferente e pelo visto ela é um barato.
Boa sorte, amiga.

Luana disse...
18 de dezembro de 2008 11:08

Nossa Dani!!! Amei o texto! Me identifiquei com ele... amo família e todas essas coisinhas legais que acontecem nas famílias grandes ou pequenas onde um se mete na vida do outro! hehehe
Seu texto ficou lindo, com uma coisa pura! e como seu amigo falou: cheio de "emoções rasteiras". Pensei e lembrei de um monte de coisas enquanto lia...
Beijo!

Dona Reis disse...
19 de dezembro de 2008 03:59

kkk
Menina, que coindidência gozada...meus pais também são de Pedreiras, e casaram-se escondidos (também!) numa cidadzinha próxima!
Tudo na vida, linda, tem seu momento, Às vezes, nós os atropelamos, outras nos damos conta quando ele chega do nada, quando já havíamos nos conformados com sua ausência...
Felicidades!

Beijos

Dani M. disse...
19 de dezembro de 2008 04:08

Vcs são lindas! obrigada pelas palavras e fico feliz que não seja só nesse sentimentalismo todo.
Mila, será qeu foi no mesmo cartório???
Vamos investigar?
beijos

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